quinta-feira, 24 de novembro de 2011

OS DESAFIOS DA SEGURANÇA

ENCONTRO NACIONAL DE EDUCADORES

PLANO DE SEGURANÇA

Para alunos, deve-se discutir plano de segurança

Um dos eixos principais da greve estudantil vigente na USP é a proposta de elaboração de um plano de segurança. Para isso, foram propostos vários itens que, na opinião dos estudantes, devem ser atendidos para que o Campus seja mais seguro. “O plano de segurança deve ser democrático, discutido pela comunidade. Não podemos levar medidas prontas e nem a reitoria deve tomar medidas verticalizadas. Para se fazer o plano é preciso ouvir todas as necessidades. Nós levantamos alguns pontos básicos”, explica Tatiane Ribeiro, estudante da ECA que participa do comando de greve.
De todos os itens do plano de segurança, aquele que tem mais visibilidade é a falta de iluminação no campus. Desde a morte do estudante da FEA Felipe Ramos de Paiva o problema vem sendo levantado. Na sexta-feira, 18, 500 participaram da Passeata das Lanternas, organizada por alunos do curso de Design. O ato percorreu lugares considerados perigosos à noite, como a Rua do Matão e a Rua do Lago.
O reitor João Grandino Rodas diz que a reivindicação quanto à iluminação pode ser deixada de lado, pois já há um planejamento para resolver esse problema. “Há meses, após licitação, fez-se projeto, nos moldes da Avenida Paulista e do Parque do Ibirapuera, utilizando os mais modernos equipamentos e lâmpadas led, para que a iluminação dos campi fosse feita sem corte ou desbaste de árvores. Em certos lugares, os postes serão estrategicamente colocados abaixo das árvores, para que elas sejam poupadas”. A previsão é de que, após o fim da licitação, as obras estejam concluídas em oito meses no campus Butantã e em 18 meses em todos os campi da USP.
Relacionada ao problema da iluminação está a sugestão de poda das árvores. O reitor questiona tal proposta. “Estranhei o movimento advogar corte de árvores, sem antes perquirir outros métodos que as poupassem”, afirma. Tatiane explica que os alunos não querem o corte, mas sim a poda das árvores. “Não queremos corte das árvores, queremos poda, como acontece em toda a cidade. Isso para não atrapalhar a iluminação e sinalização”. Segundo ela, lugares como a Rua do Matão, que possui muitas árvores, são perigosos à noite e a poda aumentaria a luminosidade e a segurança.
Guarda Universitária
Sobre a Guarda Universitária, os alunos propõem a formação de efetivo feminino para auxiliar em casos de violência contra a mulher. “Os guardas não sabem lidar com casos como estupros, por exemplo. Muitas vezes fazem perguntas do tipo ‘você está bêbada?’ ou ‘ah, mas você estava em uma festa, né? Aí não é estupro’. A Guarda precisa ser treinada. Existem muitas mulheres na universidade, mas a Guarda parece que está parada no tempo em que apenas homens estudavam”, reclama Tatiane. Ela também afirma que a contratação da Guarda Universitária não é feita por concursos, o que é prejudicial para a segurança do campus. “Queremos que a Guarda seja concursada e não seja indicada nem terceirizada”.
A Coordenadoria do Campus (Cocesp), afirma que a contratação de efetivo feminino já está sendo discutida desde o ano passado e que a abertura de concursos para a Guarda Universitária está em andamento, seguindo decisão do Conselho do Campus.
Circulação de pessoas
Para Tatiane, a proposta que mais precisa ser discutida é a que pede circulação de mais pessoas no campus. Segundo ela, muitos alunos ainda não entendem a ideia e, por isso, ela deve ser mais debatida. “Não queremos só que os portões sejam abertos, mas queremos que os serviços sejam abertos à população que paga a universidade”, diz. Ela afirma que o número de cursos de extensão é baixo e que o acesso às bibliotecas, por exemplo, deveriam ser abertas ao público externo.
Tal discussão, segundo ela, deveria contar com a participação de especialistas da própria universidade, como por exemplo, urbanistas. Outras reivindicações são a diminuição no intervalo entre os circulares, que diminuiria o tempo de espera dos passageiros em pontos de ônibus durante a noite e a implantação de um circular do campus até o metrô Butantã.
FAU
Os alunos da FAU têm trabalhado em vários projetos durante a greve. No curso de Design, há a ideia de criar um mapeamento aberto dos crimes que acontecem na USP através do Google Maps, de forma que as pessoas possam apontar o local onde foram vítimas de crimes. “Tudo isso são apenas ideias que estamos discutindo mas não existem planos de ação ainda. Apenas elencamos alguns problemas”, explica a aluna Uva Costriuba. Os estudantes estão buscando apoio dos professores para poderem, juntos, discutirem as ideias e possíveis ações.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

DESOCUPAÇÃO NA USP

Alunos detidos durante desocupação da USP deixam o campus

Setenta estudantes foram detidos durante reintegração de posse.
Batalhão de Choque permanecia no campus no início desta manhã.

Juliana Cardilli e Kleber Thomaz Do G1 SP
Ônibus com estudantes detidos na USP chegam ao 91º DP (Ceasa) (Foto: Kleber Tomaz/G1)
Ônibus com estudantes detidos na USP chegam ao 91º DP (Ceasa) (Foto: Kleber Tomaz/G1)
Pelo menos 70 alunos (24 mulheres e 46 homens) da Universidade de São Paulo (USP) detidos pela PM durante reintegração de posse do prédio da reitoria da instituição na Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo, haviam deixado o edifício por volta das 7h30 desta terça-feira (8).
Eles foram levados em três ônibus para a central de flagrantes do 91º DP (Ceasa), onde será registrado termo circunstanciado por danos ao patrimônio público. Por volta das 8h, os estudantes já estavam na delegacia.


Segundo o delegado titular do 91º DP, Luiz Cláudio Ferretti, inicialmente eles vão ser autuados em flagrante por desobediência ao mandado judicial de reintegração de posse da reitoria e serão liberados. Como a ação dos manifestantes foi considerada de menor potencial ofensivo, caso sejam considerados culpados pela Justiça eles podem ser condenados a prestar serviços ou doar cestas básicas à comunidade.
No entanto, se a universidade registrar boletim de ocorrência de dano ao patrimônio, o que ela ainda não tinha ocorrido até as 9h desta terça, eles só serão liberados mediante pagamento de fiança. Ferretti informou ainda que, por conta do número de alunos, cinco serão ouvidos de cada vez.
Por volta das 7h30, oficiais de Justiça realizavam a certidão de entrega do imóvel para que o prédio seja oficialmente devolvido à USP. No horário, o Batalhão de Choque continuava posicionado em toda a Cidade Universitária, onde deve permanecer até que a desocupação seja concluída.
"A ação do Choque é até desocupar, a perícia chegar, ver quais foram os danos e terminar toda a operação. Aí continua o policiamento diário [no campus]”, informou a coronel Maria Yamamoto, porta-voz da PM. Cerca de 400 homens e 50 carros da corporação estavam no campus pouco antes das 7h. No horário, não havia sido registrado confronto entre estudantes e policiais. Os policiais usaram apenas escudos e cassetetes e não havia enfrentamento.
O que diz a defesa dos alunos
Felipe Gomes da Silva Vasconcelos, um dos advogados dos estudantes que ocuparam a reitoria, considerou “arbitrária” a ação da PM. Segundo ele, ocorreu “militarização e ocupação de toda a USP”. O advogado informou que soube que alguns estudantes que foram presos, na biblioteca e na faculdade de arquitetura da USP, antes mesmo da retirada dos demais manifestantes da reitoria.
Ele classifica os detidos como “presos políticos”, porque a ocupação teve caráter político e foi “uma manifestação que sempre se buscou o diálogo”. Vasconcelos declarou que vai estudar medida contra a retirada dos estudantes da reitoria. Ele afirmou que também pretende estudar uma possibilidade de fazer com que o campus não permaneça vigiado pela Polícia Militar.
reintegração tropa de choque (Foto: Reprodução/TV Globo)
Policiais usaram cassetetes para abrir portão e entrar no prédio da reitoria da USP na madrugada
(Foto: Reprodução/TV Globo)
A reintegração

A reintegração de posse começou no fim da madrugada. As equipes do 2º Batalhão de Polícia de Choque (BP Choque) deixaram o quartel da corporação, na região da Luz, Centro de São Paulo, por volta das 4h30 e chegaram 40 minutos depois à Cidade Universitária. Eles  arrombaram portas do prédio da reitoria.


Um grupo de estudantes gritava palavras de ordem contra a presença da PM no campus e houve correria de manifestantes. A Polícia Militar usou dois helicópteros Águia para acompanhar a reintegração de posse.


A ação da PM ocorreu após os universitários decidirem em assembleia realizada na noite desta segunda-feira (7) manter a ocupação. A decisão de cerca de 350 alunos ocorreu por volta das 23h, horário em que expirou o prazo dado pela Justiça para a desocupação do edifício. A assembleia também rejeitou propostas levantadas durante reunião entre reitoria e integrantes do movimento, realizada na tarde desta segunda.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho, criticou a ação da PM. “A gente não imaginava que pudessem montar um aparato de guerra como esse. Nem na ditadura vimos isso. Eu acho que eles mexeram em uma casa de marimbondos. Isso aqui vai virar um inferno. É uma coisa absurda, uma força desproporcional para a quantidade de estudantes lá dentro”, disse.

Linha do Tempo da USP (Foto: Editoria de Arte/G1)

domingo, 6 de novembro de 2011

EVENTO DE SEGURANÇA PRIVADA

CRIMINOLOGIA E MENTES CRIMINOSAS

INFORMAÇÕES CONIC SEMESP UNISANTA

27.10.2011

Maior congresso de iniciação científica tem recorde de participações

Conic/Semesp acontecerá na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, nos dias 18 e 19 de novembro. Número de alunos pesquisadores e professores também é o maior da história. Na foto, alunos pesquisadores durante a edição do Conic de 2010.


Evento acontecerá na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, nos dias 18 e 19 de novembro. Número de alunos pesquisadores e professores também é o maior da história.

Com 1.800 trabalhos inscritos por 2.641 alunos pesquisadores de todas as regiões do Brasil, dos quais 1.489 foram aprovados, o 11º Conic – Congresso Nacional de Iniciação Científica, promovido pelo Semesp – Sindicato das Entidades Mantenedoras e Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo, estabelece mais um recorde de participações.
Os trabalhos foram orientados por 1.107 professores de 216 Instituições de Ensino Superior – públicas e privadas, abordando temas relacionados às Ciências Biológicas e Saúde (478 ou 32% do total); às Ciências Exatas e da Terra (80 ou 5%); às Ciências Humanas e Sociais (382 ou 26%), às Ciências Sociais Aplicadas (208 ou 14%) e Engenharias e Tecnologias (341 ou 23%).
Apesar da predominância de estudantes do Estado de São Paulo (646 trabalhos de alunos da Capital e Grande São Paulo; 532 do Interior e 270 do Litoral), o 11º Conic recebeu inscrições de todas as regiões do país, distribuídas da seguinte forma: 97 de Minas Gerais, 61 do Mato Grosso do Sul, 46 do Rio de Janeiro, 32 do Distrito Federal, 19 de Santa Catarina, 14 do Paraná, 12 do Rio Grande do Sul, 12 de Goiás, 12 da Paraíba, 7 do Amazonas e 7 do Mato Grosso, 6 de Pernambuco, 5 de Rondônia, 4 da Bahia, 4 do Pará, 3 do Tocantins, 3 do Ceará, 3 do Amapá, 2 do Espírito Santo e um dos estados de Roraima, Acre e Sergipe.
“A participação de estudantes e professores de todas as partes do Brasil mostra que o interesse pela pesquisa tem crescido, revelando-se um aspecto importante para o desenvolvimento de novos conhecimentos e novas tecnologias, as quais, no futuro, poderão trazer benefícios para a sociedade e dividendos para o país”, afirma Hermes Figueiredo, presidente do Semesp.
O CONIC
Este ano, em sua 11ª edição, o Congresso homenageia a física e química Marie Curie (1867 - 1934), ganhadora de dois Prêmios Nobel (1903 e 1911), adotando como slogan uma de suas citações: “Nada na vida deve ser temido, apenas compreendido”. Para os professores-pesquisadores e para as próprias instituições de ensino superior, de todas as regiões do Brasil (mapa 6) o Conic-Semesp é um estímulo ao engajamento dos estudantes de graduação no processo de investigação científica, contribuindo para a formação de profissionais altamente qualificados.
Prêmios
Serão premiados os primeiros colocados de cada uma das cinco áreas do conhecimento (Ciências Biológicas e Saúde, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas e Sociais, Ciências Sociais Aplicadas, Engenharias e Tecnologias), nas categorias Concluído e Em andamento; e, dentre os premiados na categoria Concluído, haverá um prêmio especial para o trabalho que se caracterizar como voltado ao desenvolvimento e compromisso social.
Os trabalhos premiados cujo autor ou coautores estiverem presentes na cerimônia de entrega receberão os prêmios acrescidos de 50% do valor, conforme as regras do Regulamento Esse critério não incide sobre o prêmio especial.
Pelo segundo ano consecutivo haverá, ainda, o prêmio Incentivo ao Ensino Superior. Além dos prêmios, será expedido um certificado para todos os autores, coautores e orientadores dos projetos apresentados.
Serviço
11º Conic-Semesp
Data das apresentações:
18 e 19 de novembro de 2011
Local: Universidade Santa Cecília (Unisanta) – Santos (SP)



Fonte: Site do SEMESP

CONIC SEMESP 2011

SAT E ENEM

Estados Unidos

Haddad compara SAT e Enem.

Para minimizar falhas do exame brasileiro, ministro aponta ocorrências da prova americana. Faltou explicar que situações são bem diferentes

Nathalia Goulart
Thinkstock

(Thinkstock)
Diante de mais um tropeço no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o ministro da Educação, Fernando Haddad, tentou classificar como "comum" o vazamento de questões da prova. Mais: disse que problemas similares também são registrados na aplicação do SAT, supostamente uma versão americana do Enem. São afirmações imprecisas - e levianas - feitas por um ministro de estado.
De acordo com o Educational Testing Service (ETS), associação sem fins lucrativos que elabora, aplica e corrige o SAT, cerca de 1.000 provas são anuladas todos os anos em um universo de 2,2 milhões de exames realizados. "Em média, suspeitamos de fraudes em 3.000 exames, mas em geral 2.000 se mostram isentos", afirma Thomas Ewing, porta-voz da ETS. Os problemas, no entanto, têm natureza muito diversa da registrada por aqui. "Quase todas as anulações acontecem por cola ou mau comportamento de estudantes na hora prova." Vazamento de questões é coisa rara nos Estados Unidos, ao contrário do que tentou fazer parecer o ministro. E é fácil entender por quê.
Para desestimular furto e vazamento de questões, o SAT produz várias provas diferentes. Em um dia típico de aplicação do SAT – a avaliação ocorre sete vezes ao ano, e não apenas uma, como o Enem –, diversos modelos de prova são distribuídos. Ou seja, não circula pelo território americano uma única série de questões, mas diversas. Detalhe: não é só a ordem de itens que muda de uma prova para a outra, como ocorre no Enem, mas as próprias questões. É raro, portanto, que dois estudantes que estão em um mesmo local de prova realizem exatamente a mesma sequência de questões. Isso desestimula – e muito – o furto de questões para fins de vazamento. Afinal, para que furtar e vazar questões se poucos estudantes se aproveitarão do vazamento? No Brasil, a descoberta de uma única questão interessa a todos os 5 milhões de participantes.
Por ora, realizar várias edições do Enem ao ano ou elaborar dezenas ou centenas de provas diferentes ainda é uma missão impossível. Isso porque o banco de questões do Enem é muito pequeno: tem cerca de 6.000 testes, segundo declaração do próprio Haddad. Na prática, isso significa que existem 1.500 questões calibradas para cada uma das quatro áreas do conhecimento do exame. Para os leigos, o número pode parecer grande, mas, para os especialistas, é minúsculo: seria preciso ao menos o dobro para elaborar e aplicar com segurança uma prova do porte do Enem.
Um banco de questões maiúsculo eliminaria ainda outro risco, que maculou a edição 2011 do Enem: o uso de testes que haviam sido validados havia muito pouco tempo pelo Inep, autarquia do MEC responsável pela avaliação. O Enem apoia-se na Teoria da Resposta ao Item. Pelo método, as questões devem ser previamente resolvidas por um pequeno grupo de estudantes: dependendo da dificuldade que impõem aos alunos, recebem valores maiores ou menores. Só, então, essas questões seguem para o banco de dados e, futuramente, para a avaliação nacional. Por ter um estoque pequeno de questões, o Inep teve de adotar a tática condenada de testar itens em outubro de 2010 e aplicá-los na prova de outubro de 2011. Aí, provavelmente está a origem do vazamento deste ano: estudantes do Colégio Christus, de Fortaleza, participaram da validação das questões no ano passado. Às vésperas da prova deste ano, 14 testes que cairiam no Enem apareceram em uma apostila distribuída aos estudantes da escola.
"Com o exíguo número de testes de que o Inep dispõe hoje, é muito arriscado realizar mais de uma edição da prova ao ano. As chances de erros crescem", diz Tufi Machado Soares, do Centro de Avaliação Educacional da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e especialista em Enem. Como nem o Inep nem o MEC anunciaram um aprimoramento em suas políticas do Enem, pode-se esperar mais problemas em 2012.
Com mais de cem anos de história, o SAT vem ampliando seu estoque de questões há pelos menos seis décadas. A instituição não revela o tamanho de seu banco de questões, mas estima-se que ele tenha ao redor de 100.000 itens. Por conta desse vasto material, uma pergunta pré-testada em um ano só deverá ser apresentada em uma prova cinco anos depois. Esse intervalo elimina, por exemplo, as chances de que um estudante que participou do pré-teste se deparar com a questão no exame do ano seguinte – exatamente como ocorreu em Fortaleza.
"O Enem corre perigo ao correr contra o relógio para ampliar seu banco de dados", diz Tufi Machado Soares. "Além de ficar sujeito a fraudes como a que vimos, dá ensejo à produção de questões mal elaboradas." Neste ano, como nos anteriores, foram várias as críticas de professores a enunciados confusos e imprecisões teóricas.
Por fim, mas não menos importante, o ministro comete outra imprecisão ao comparar Enem e SAT. O exame brasileiro substituiu, em muitos casos, o vestibular como critério único de seleção de estudantes de universidades federais. Nesse cenário, furtos de prova, erros de impressão de gabaritos e vazamento de questões – todos já registrados pela avaliação federal – colocam em xeque a capacidade das instituições de selecionar os melhores candidatos de forma justa. Nos Estados Unidos, por outro lado, o SAT é apenas parte de um processo de seleção muito maior, em que são levados, por exemplo, atividades extra-curriculares. "Já tive contato com estudantes que tiraram nota máxima no SAT e não foram admitidos por universidades americanas", diz Thais Pires, coordenadora regional do EducationUSA, órgão do governo americano que se dedica a aproximar candidatos e instituições. "Lá, as universidades têm um processo de admissão que leva em conta muitos aspectos além do desempenho acadêmico."
Em resumo: o Enem, ao contrário do SAT, tornou-se questão de vida ou morte para milhares de estudantes quando o assunto é conquistar um lugar em uma boa universidade. Vazamentos e outros tropeços de organização não podem mais ocorrer.

O mais recente problema do 'Enem americano'

Assim como o Enem,  o SAT está sujeito a problemas, mas de natureza diferente. O último caso de repercussão nacional ainda estampa os jornais americanos. No fim de setembro, ao menos seis estudantes do estado de Nova York pagaram cerca de 2.500 dólares para que um universitário realizasse a prova em seus lugares. Ao ser descoberto, Samuel Eshaghoff, de 19 anos, estudantes da Emory University, foi preso e está sendo processado.
“Casos como esse acontecem, mas são raros”, explica Thomas Ewing, porta-voz do Educational Testing Service (ETS), associação sem fins lucrativos que elabora, aplica e corrige o SAT. “Quando são pegos, os envolvidos são notificados e suas provas são canceladas. Os casos mais comuns que enfrentamos são de 'cola' ou mau comportamento na hora da prova". Segundo Ewing, na história recente do SAT, nenhum caso de vazamento de questões foi registrado.
Temendo o crescimento de casos com o registrado em Nova York, o ETS contratou um ex-diretor do FBI para aumentar a segurança em torno da prova. Uma das medidas propostas é a identificação dos candidatos por meio de digitais e câmeras de segurança. A medida, porém, é impopular entre os americanos.
O SAT é composto de três partes - leitura, escrita e matemática. Cada uma delas vale 800 pontos. O tempo máximo de realização da prova é de 3 horas e 45 minutos. A avaliação geralmente é realizada por estudantes do penúltimo ano do ensino médio. Dos participantes, é cobrada uma taxa de 49 dólares, que inclui o envio de uma cópia do boletim de desempenho através do serviço de correio. 

POLÍCIA NA USP

Jovem morreu em assalto no interior do campus

O pai do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, morto em maio durante um assalto na Universidade de São Paulo (USP), defende a presença da Polícia Militar dentro do campus. “Se tivesse polícia, não teria acontecido”, diz o projetista Ocimar Florentino de Paiva. Estudantes que ocupam o prédio da reitoria desde a madrugada de quarta-feira (2) exigem a saída da PM do campus.

O jovem foi baleado na noite de 18 de maio quando se aproximava de seu carro em um estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). Dois homens presos pelo crime foram indiciados por latrocínio. O assassinato motivou a formalização, em 8 de setembro, de um convênio entre representantes da universidade e do comando da Polícia Militar. O documento prevê que, em cinco anos, a corporação aumente a segurança no campus.

O projetista conta que o filho não temia crimes na USP. “A gente nunca pensou no assunto. Comentei que estavam acontecendo alguns sequestros e ele disse que não tinha perigo porque parava o carro pertinho. Ele se sentia seguro porque estava há cinco anos lá. Se a USP tivesse [polícia], com certeza bandido não estaria circulando livremente”, opina.

A Justiça determinou na quinta-feira (3) a reintegração de posse do prédio da reitoria que foi ocupado. Os estudantes foram notificados da decisão e têm até as 17h deste sábado (5) para deixar o local.

Apesar da ordem, os estudantes decidiram resistir e manter a ocupação. Eles querem a saída da Polícia Militar do campus, o fim do convênio com a PM para aumentar a segurança na Cidade Universitária e o fim dos processos administrativos e criminais contra professores, estudantes e funcionários.

As ocupações começaram depois que três universitários foram detidos pela PM após serem flagrados com maconha. Estudantes protestaram contra a prisão em frente a um dos prédios da faculdade e houve confronto com a polícia. Após a confusão, um grupo invadiu o prédio administrativo da FFLCH – que foi liberado na quinta. Na madrugada de quarta, os alunos decidiram ocupar a reitoria.

G1

MARCHA CONTRA O ENEM

Marcha contra o Enem deve mobilizar 7 mil estudantes no Rio

Rio - Mais de 7 mil estudantes estão se mobilizando pela rede social Facebook para participar da marcha contra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no próximo dia 13, às 10h, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. No mesmo dia, haverá manifestações em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza.
Entre as reivindicações dos estudantes estão a exigência de mais segurança no processo, o fim do Enem como forma de ingresso nas universidades e a volta dos vestibulares.
Foto: Folhapress
Estudantes fizeram manifestação, na quinta, em frente à sede da Justiça Federal de Fortaleza contra o Enem | Foto: Folhapress
“Há três anos é essa confusão e sucessão de erros. Queremos que o exame seja feito apenas para avaliar o Ensino Médio como era antes e cada universidade tenha o seu vestibular”, diz Breno Souto, 17 anos. O Enem substitui o vestibular em mais de 70 instituições em todo o País.
Questões anuladas
A Justiça decidiu anular as 13 questões do Enem apenas para os 639 alunos do colégio Christus, de Fortaleza, no Ceará, que tiveram acesso prévio às perguntas. O Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região acatou o recurso da Advocacia-Geral da União contra a decisão que anulava as questões em todo o País.
O Ministério Público Federal do Ceará, que havia obtido a liminar cancelando as perguntas, vai recorrer da decisão. O procurador da República Oscar Costa Filho quer a anulação do exame ou das 13 questões para todos.
O órgão pediu ainda a anulação da pergunta 25 do caderno amarelo, que é muito similar a outra usada em teste aplicado no Colégio Christus. Segundo o TRF, os alunos cearenses não serão prejudicados, pois a pontuação das questões anuladas será redistribuída em todo o exame.
Vazamento no pré-teste
A decisão atendeu pedido do MEC que, após a anulação, decidiu recorrer argumentando a favor do cancelamento da prova para os 639 estudantes ou da anulação das questões só para esse grupo. As 13 questões foram incluídas em apostila distribuída pelo colégio semanas antes da aplicação do Enem. Segundo o MEC, o vazamento ocorreu na fase de pré-testes do exame, da qual a escola participou em outubro de 2010.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

RADICAIS SEM ROSTO

Radicais sem rosto

Ligados à extrema-esquerda, estudantes que invadiram a reitoria da USP compõem um grupo pequeno, sem reconhecimento da UNE nem apoio de seus colegas de universidade

Paula Rocha

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CONTRA
Encapuzados, cerca de 50 estudantes invadiram a
reitoria da USP para pedir a saída da PM do campus

Eles nasceram na elite, estudam numa das melhores universidades do Brasil, usam roupas e tênis de marca, se dizem anarquistas e afirmam que defendem a causa operária. Os estudantes que lideraram as manifestações contra a presença da Polícia Militar no campus da USP (Universidade de São Paulo) nas últimas semanas compõem um grupo pequeno, movido por questões ideológicas ultrapassadas, mas capaz de gerar uma discussão de âmbito nacional. Munidos de paus e pedras, e com os rostos cobertos para não serem identificados, cerca de 50 jovens invadiram a reitoria da USP na terça-feira 1o, como forma de forçar o reitor, João Grandino Rodas, a retirar a PM da universidade. O protesto foi motivado pela repressão a três alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), pegos fumando maconha no campus. Quando seriam encaminhados a uma delegacia para assinar um termo circunstanciado, outros estudantes intervieram e a PM usou cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los. A ação truculenta da polícia serviu de gatilho para que os radicais colocassem em prática o movimento autointitulado Ocupa USP – Contra a Repressão. Na quinta-feira 3, a Justiça autorizou a reintegração de posse do prédio da reitoria. Mas eles decidiram manter a ocupação.

A principal reivindicação do grupo, coordenado por três correntes de extrema-esquerda – a Liga Estratégica Revolucionária – Quarta Internacional, o Movimento Negação da Negação e o Partido da Causa Operária (PCO) –, é a suspensão do convênio entre a PM e a universidade, firmado após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, baleado no estacionamento da Faculdade de Economia e Administração (FEA) em maio passado. O episódio chamou a atenção da sociedade para a falta de segurança no campus e levou a reitoria da USP a pedir reforço no policiamento. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a iniciativa conseguiu reduzir significativamente a incidência de diversas modalidades de crimes na universidade (leia quadro). Esse argumento, no entanto, é desconsiderado pelos garotos mascarados. “O real objetivo da Polícia Militar na USP não é o de inibir crimes, mas sim de combater manifestações políticas e cercear o direito de expressão livre de estudantes e trabalhadores”, dizem os estudantes no Manifesto da Ocupação, publicado na internet. Além disso, eles também exigem que os processos administrativos movidos contra docentes e discentes da USP, devido a ocupações anteriores, sejam suspensos.

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A FAVOR
Manifestação de alunos que desejam a permanência da polícia para reprimir a violência

Apesar de fazer muito barulho, o grupo dos radicais não representa a opinião dos mais de 80 mil estudantes da USP. Na terça-feira 1o, alunos de diversos cursos realizaram uma manifestação pró-PM no campus, apoiada pelo Centro Acadêmico da FEA. “A presença da PM na USP tem apoio de 80% dos alunos da FEA e da Politécnica”, diz Thomás de Barros, estudante de economia e diretor de comunicação do CA da FEA. A postura dos radicais de extrema-esquerda é vista com maus olhos até mesmo entre aqueles que não querem a polícia atuando dentro da universidade. “Sou contra a PM no campus, mas também não concordo com a ocupação da reitoria”, disse um estudante de letras que não quis se identificar. A União Nacional dos Estudantes (UNE) declarou que não reconhece o grupo e que seu contato na USP é o Diretório Central dos Estudantes (DCE). O próprio DCE, também contrário à presença da PM, não apoia os radicais. “Infelizmente, um setor minoritário do movimento, derrotado na votação da assembleia de 1o de novembro, agiu de forma antidemocrática ao ocupar a reitoria, deslegitimando o debate feito no fórum”, declararam em nota.

Para o sociólogo Renato Cancian, autor do livo “Movimento Estudantil e Repressão Política”, a militância político-partidária, intensificada a partir dos anos 1970, acabou por enfraquecer o movimento estudantil, já que houve um completo distanciamento das demandas educacionais. “Os militantes partidários defendem uma agenda eminentemente política, enquanto os apartidários pregam a completa dissociação do movimento estudantil de questões políticas mais amplas”, diz Cancian. “E, na verdade, as duas agendas podem coexistir, desde que tenham equilíbrio.”  O especialista ainda defende a ideia de que a solução para a questão da violência no campus da USP deve incluir outras medidas além da presença da PM. “A USP deveria investir em mais iluminação e no treinamento da guarda universitária.” O orçamento em 2011 da USP é de R$ 3,6 bilhões, dinheiro que vem de impostos cobrados em São Paulo. Desse total, 85% vai para o pagamento de salários de professores e funcionários.


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Colaborou Flávio Costa

Filme Institucional - ESPM 60 anos

Academicos pedem mais segurança no campus da universidade no Acre (UFAC)

SEGURANÇA EM UNIVERSIDADES

Rodrigo Pimentel comenta falta de segurança nas universidades

REINTEGRAÇÃO DE POSSE NA USP

11/2011 17h13 - Atualizado em 04/11/2011 17h54

Oficial de Justiça leva à USP notificação de reintegração de posse

Reitoria mandou cortar a energia elétrica e a internet do prédio invadido.
Alunos estão desde quarta no edifício da reitoria.

Do G1 SP





Um oficial de Justiça chegou por volta das 17h desta sexta-feira (4) ao prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) para entregar a notificação de reintegração de posse aos alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Os estudantes ocupam desde quarta (2) o edifício, que fica na Cidade Universitária, no Butantã, Zona Oeste da capital paulista. A Justiça determinou na quinta (3) a reintegração.
Nenhum dos estudantes, porém, aceitou receber a notificação. O mandado foi, então, lido e o oficial de Justiça Valdemir Maciel declarou que os alunos estavam “oficialmente intimados”. Além de pedir a saída em 24 horas dos estudantes, o documento convoca dois representantes dos ocupantes para uma audiência neste sábado, às 10h, no Fórum Hely Lopes Meirelles, no Centro de São Paulo. Ninguém quis se prontificar a comparecer ao fórum.
Pouco antes de o oficial chegar, Magno de Carvalho, diretor do Sintusp, disse que os alunos continuarão no prédio. “Já foi decidido que esta ameaça violenta de reintegração de posse não será acatada [pelos ocupantes]. O movimento irá resistir.”
saiba mais
A reitoria da USP mandou nesta sexta (4) cortar a energia elétrica e a internet do prédio ocupado. Segundo a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), os alunos, que ficaram às escuras, tentavam ligar um gerador. “Em outras ocupações, o gerador já foi utilizado. Mas há alunos tentando operá-los sem saber. Se acontecer algo com eles, a responsabilidade será da reitoria”, disse o diretor do Sintusp Marcelo Pablito.
A Cidade Universitária, campus onde está situado o prédio ocupado da reitoria, tem área total de 4,5 milhões de metros quadrados e oferece 86 cursos de graduação, além de especializações, pós-graduação, mestrados e doutorados.
Reunião
Mais cedo, uma reunião entre a direção da universidade, os alunos e o Sintusp terminou sem acordo. Na pauta, dois assuntos foram discutidos: a saída da PM do campus e a revisão dos processos abertos pela universidade contra estudantes e servidores. Por causa do impasse, a ocupação do prédio da reitoria continua.

Oficial de Justiça chega ao prédio da reitoria (Foto: Raphael Prado/G1)
Oficial de Justiça chega ao prédio da reitoria
(Foto: Raphael Prado/G1)
“Propusemos a criação de um grupo de trabalho misto com a reitoria, estudantes e funcionários para detalhamento do convênio da PM e de um plano de trabalho. No entanto, eles aparentemente não aceitaram”, disse o professor de geografia Wanderley Messias, superintendente de relações institucionais da USP. Ele informou ainda que a reitoria está disposta a examinar os processos. “Estamos dispostos a negociar.” Anibal Cavali, um dos diretores do sindicato, informou que existem aproximadamente 50 processos administrativos e criminais envolvendo estudantes e funcionários em todas as unidades da USP no estado.
Para o diretor do Sintusp Carvalho, o encontro que ocorreu no prédio da geografia, convocado pela direção da universidade. foi uma “farsa”. “Eles disseram que estavam dispostos a analisar a questão dos processos na segunda-feira (7). Depois do intervalo, quando voltaram, falaram: ‘Desocupem a reitoria que a gente volta a conversar’”, afirmou Magno. Ele completou em seguida: “Isso não é negociação. Foi uma farsa para dizer que sentaram com os funcionários antes de mandar a PM para massacrar estudantes e funcionários. Acho que estão apostando em um confronto sangrento", afirmou ele sobre a presença da PM.





Participaram da reunião cinco estudantes, um professor da Faculdade de Direito - indicado por alunos para a negociação - e dois diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), além de dois professores representando a reitoria - Wanderley Messias, da geografia, superintendente de Relações Institucionais da universidade, e Alberto Amadio, da educação física e membro do gabinete do reitor. A reunião foi realizada no prédio da geografia, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).
Também presente na reunião, o estudante de letras Rafael Alves, integrante da comissão de negociação, afirmou que os alunos irão manter a ocupação. “Enquanto perseguirem os alunos e o convênio com a PM continuar e não tiver uma assembleia que delibere o contrário, a ocupação vai continuar.” Segundo os estudantes, a próxima assembleia está prevista para quarta-feira (9).

Reintegração


Segundo a decisão da juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara de Fazenda Pública, a reintegração da reitoria "deverá ser realizada sem violência, com toda a cautela necessária à situação, mediante a participação de um representante dos ocupantes e da autora para a melhor solução possível, observando a boa convivência acadêmica, em um clima de paz".
Caso os alunos não se retirem, a juíza diz que autoriza, "como medida extrema”, o uso de força policial. Ela ressalva, no entanto, que conta "com o bom senso das partes e o empenho na melhoria das condições de vida no campus".
As ocupações começaram depois que três universitários foram detidos pela PM após serem flagrados com maconha. Estudantes protestaram contra a prisão em frente a um dos prédios da faculdade e houve confronto com a polícia. Após a confusão, um grupo invadiu o prédio administrativo da FFLCH – que foi liberado nesta quinta.
Nesta manhã, um estudante que participa da ocupação da reitoria e não quis se identificar disse que o prédio está intacto e em perfeito estado de conservação. O estudante também afirmou que há muitas pessoas no prédio, mas não quis dar números. Questionado sobre as imagens divulgadas pela USP que mostram a invasão dos estudantes, o aluno admitiu que uma câmera de segurança foi danificada.


Linha do tempo - USP (Foto: Arte/G1)

ENEM 2011

TRF suspende liminar que anulou 13 questões do Enem

Agencia Estado
 
O presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), Paulo Roberto de Oliveira Lima, suspendeu a liminar concedida pela Justiça Federal do Ceará que determinou o cancelamento de 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para todo o Brasil. De acordo com a decisão, divulgada hoje, as 13 questões só ficarão sem efeito para os 639 alunos do Colégio Christus, de Fortaleza, que fizeram o teste. Ou seja, as provas serão mantidas na sua integralidade para os quase cinco milhões de estudantes que se submeteram ao Enem.
O pedido de suspensão de liminar foi feito ontem pela Advocacia Geral da União (AGU). Para o presidente do TRF-5, esta foi a solução "mais razoável". "A liminar considerada atinge a esfera de interesses de cerca 5 milhões de estudantes, espraiando seus efeitos para o ingresso deles nas várias universidades públicas do País, com repercussão na concessão de bolsas, na obtenção de financiamentos e na orientação de políticas públicas", observou Oliveira Lima. "O assunto é grave e influi, sim, na organização da administração".
Em sua decisão, Oliveira Lima disse que "Nenhuma solução é de todo boa". E afirmou: "Aliás, isso é próprio dos erros: quase nunca comportam solução ótima". Em sua avaliação, anular "somente" as questões dos alunos beneficiados não restabelece a isonomia. 'É que eles continuariam a gozar, para o bem ou para o mal, de situação singular (afinal a prova, para os tais, findaria com menos questões)".
"E certamente a solução não teria a neutralidade desejável, é dizer que o resultado não seria o mesmo, com e sem a anulação. De outro lado, anular as questões para 'todos' os participantes também não restauraria a igualdade violada. Como se vê, nenhuma das soluções tem condições de assegurar, em termos absolutos, a neutralidade e a isonomia desejáveis", concluiu o magistrado.

SEGURANÇA E EMERGÊNCIAS EM UNIVERSIDADES

Líderes mundiais na investigação sobre segurança ante emergências participam num congresso organizado pela UC

20/10/2011
Líderes mundiais na investigação sobre a segurança humana em casos de emergência, provenientes de diferentes centros de investigação e universidades do mundo, participarão esta sexta-feira, 21 de outubro, no congresso internacional sobre “Evacuação e comportamento humano em situações de emergência”. O encontro está organizado pelo Grupo GIDAI da Universidade de Cantabria, especializado em I+D+i aplicada à segurança contra incêndios, em colaboração com as universidades estadounidenses de Maryland e California-Berkeley, e com a de Canterbury (Nova Zelândia), entre outras.


Logotipo de la Universidad de Cantabria
A citação será esta sexta-feira, 21 de outubro, no campus das Llamas
O ato de inauguração do congresso terá lugar a sexta-feira, às 9 horas, no salão de atos da Escola Técnica Superior de Engenheiros Industriais e de Telecomunicação, no campus santanderino das Llamas. A sessão estará presidida pelo presidente de Cantabria, Ignacio Diego, ao que acompanharão o prefeito de Santander, Íñigo da Serna, o reitor da UC, Federico Gutiérrez-Solana, e o presidente da associação TECNIFUEGO-AESPI, Rafael Sarasola. Depois de suas intervenções se renderá uma homenagem, a título póstumo, ao professor José da Gándara e Uriarte, que foi pioneiro em introduzir em Espanha a ciência da segurança contra incêndios, impulsionando os primeiros regulamentos, os primeiros laboratórios e as primeiras associações espanholas vinculadas à disciplina.

A conferência magistral do Congresso, que terá lugar ato seguido à inauguração (9.30 horas), será dada pelo professor David Purser, do centro de investigação britânico Hartford Environmental Research. O experiente, um dos líderes mundiais no âmbito da segurança humana, a toxicidade em caso de incêndio e a conduta humana durante a evacuação, falará sobre os palcos de comportamento que se dão quando as emergências se produzem em túneis e complexos subterrâneos.

O “Advanced Research Workshop: Evacuation and Human Behavior in Emergency Situations” abordará inovadoras tecnologias e estudos a respeito da segurança humana em caso de emergência, fincando pé no impacto da conduta das pessoas nos processos de evacuação e resgate em diferentes meios: edifícios, médios e infra-estruturas de transporte…, e cobrindo aspectos tanto teóricos como práticos.

Os pesquisadores tratarão avanços e novidades em três blocos: análise e modelado de evacuação; conduta humana em situações de emergência; e gestão da evacuação em emergências. Os trabalhos que se apresentarão neste foro científico se recolherão numa publicação de atas, que servirá de referência para todos aqueles que desejem conhecer e aprofundar nestes temas.


ENEM 2011

'Enem é estelionato intelectual', diz procurador da República

Carmen Pompeu - Especial para o Estado

 
FORTALEZA - O procurador da República Oscar Costa Filho, do Ministério Público Federal do Ceará, prevê problemas na aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio, que acontece neste fim de semana. Autor da ação que suspendeu a divulgação das notas dos estudantes na avaliação do ano passado, ele diz que há falhas tanto na segurança como na concepção do Enem.
De acordo com o procurador cearense, da forma que vem sendo aplicado, sem dar direito ao candidato a pedir revisão de prova e nem a chance de recorrer quando se sentir prejudicado, o Exame é "um estelionato intelectual". Como saída para a questão, ele sugere que sejam feitos exames regionalizados. E avisou que o Ministério Público vai continuar atento na defesa de quem se sentir prejudicado.
Derrotado na Justiça e pela pressão do Ministério da Educação (MEC), que alegou atraso no cronograma de matrícula das universidades que utilizam o Enem como meio de ingresso de novos estudantes, Oscar Costa Filho chegou a ajuizar uma nova ação civil pública, no início deste ano, pedindo uma alteração no edital do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) que determina como será concebida e aplicada a prova. A luta dele é para que os estudantes tenham o direito de revisão das provas. Até agora, o pedido não foi acatado.
"O Enem é uma agressão nacional à Constituição", dispara o procurador. Segundo ele, o MEC e o Inep ignoram as normas que regem os concursos. E isso acontece, argumenta, porque o Exame foi concebido para ser um método de avaliação do Ensino Médio e não um processo seletivo. "A concepção do Enem não é de vestibular, é de avaliação. Aí, moram todos os problemas. O processo foi vocacionado para avaliar o nível médio das escolas. Ao se tornar um grande vestibular, o governo federal nega a natureza do exame. E, ao ter sua natureza negada, o exame responde com todos esses descompassos que estamos vendo", explica.
"Todo candidato tem direito a defesa. Ele deve estar apto a contestar a nota, assim como ter acesso ao espelho dessa correção", comenta. Além de não dar o direito de contestação, Oscar condena o fato de o edital jogar para o candidato a responsabilidade de conferir se a prova traz alguma irregularidade, como os erros verificados no ano passado. Ele também trabalha contra a Teoria da Resposta ao Item (TRI) - uma modelagem estatística utilizada em medidas psicométricas, principalmente na área de avaliação de habilidades e conhecimentos. Na opinião do procurador, a TRI não permite a avaliação de candidatos. "É como você querer padronizar um jogador de futebol", compara.
"Nós acreditamos que duas provas diferentes não podem ter o mesmo valor legal. Ou seja, caso aconteça um episódio semelhante ao que vimos ano passado, em que uma nova prova tenha que ser aplicada, queremos garantia de que todo o exame seja cancelado, porque duas provas diferentes não podem ser utilizadas da mesma maneira pelas universidades", afirma.
Outro ponto questionado pelo procurador é com relação à segurança. Ele condena a forma como é feita a seleção dos fiscais: pelas próprias unidades de ensino que são alugadas para a aplicação das provas. "Do jeito que acontece hoje, propicia fraudes. São fiscais sem preparo. E isso não está certo. Defendemos que uma instituição pública, especializada em concursos, seja responsável pela aplicação e fiscalização do exame", sugere. "Essa questão do vazamento é muito maior do que se apresenta", comenta.
Mesmo considerando que os organizadores seguem "empurrando o problema com a barriga", pois, segundo ele, tem prevalecido a lógica do poder e não do direito, Oscar Costa Filho acredita que vai chegar um momento em que o processo não vai mais se sustentar.

OPORTUNIDADES NO ABC DE SÃO PAULO

Setor de defesa gera oportunidades na região

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC


O Grande ABC reúne condições de ser um polo importante da indústria da defesa nacional, pelo fato de a região contar com um grande parque industrial e ter a presença de universidades e centros de pesquisa, entre outros quesitos. A avaliação é compartilhada pelo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, e o assessor especial do Ministério da Defesa, José Genoino Neto.
Genoino assinala que é importante que o País tenha diversas bases do segmento, e não apenas São José dos Campos, onde fica a Embraer, ou a cidade mineira de Itajubá, sede da fabricante de helicópteros Helibras. "Essa indústria precisa ser versátil e descentralizada. Quanto mais se diversificar e se espalhar melhor."
Ambos participaram ontem do seminário "As oportunidades da indústria de defesa e a segurança para o Brasil e para o Grande ABC", promovido pela Prefeitura de São Bernardo, em parceria com diversas entidades.
O objetivo do evento era, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Jefferson José da Conceição, mostrar que a região, que é o maior parque industrial da América Latina, tem oportunidades no setor de defesa tanto para empresas já instaladas (de metalmecânica, plástico e química, por exemplo) quanto para companhias que podem vir para o Grande ABC. O encontro contou, além de debates, com rodadas de negócios abertas a companhias de toda a região, apesar de a Prefeitura de São Bernardo concentrar as iniciativas para receber investimentos nessa área.
Coutinho expôs no seminário o potencial que existe no País nesse segmento. Existem atualmente US$ 60 bilhões em projetos (em andamento ou em processo de seleção) relacionados ao reaparelhamento das Forças Armadas, que podem resultar em negócios para fornecedores de peças nacionais, por exemplo. O número envolve desde a futura compra de aviões caça, a aquisição de helicópteros EC-725 (contrato assinado), e a implantação de satélite geostacionário brasileiro (em estudo).
Além disso, o Brasil tem ampliado os gastos em defesa. Em 2010, foram R$ 7,2 bilhões, frente aos R$ 4,6 bilhões de 2009. No entanto, na média dos últimos dez anos, as despesas na área correspondem a apenas 0,1% do Produto Interno Bruto nacional.
Para aproveitar esse potencial, a administração municipal de São Bernardo tem projeto de montagem de um parque tecnológico que terá como um dos focos o segmento da defesa. Conceição, que faz parte do conselho diretivo da Universidade Federal do ABC, acrescentou que a UFABC terá na cidade curso de engenharia aerospacial, para atender demanda na área.

Medida provisória dá incentivo para indústria do ramo
O presidente do BNDES destaca ainda a importância do novo marco legal, criado pela recente publicação da Medida Provisória 544, que estabeleceu normas especiais para a compra de equipamentos dessa indústria e deu incentivo tributário (como a redução de IPI) para empresas que têm como foco a pesquisa, desenvolvimento, produção ou reparo de produtos dessa área que sejam sediadas no Brasil e que tenham dois terços de acionistas brasileiros. "É muito importante para mitigar assimetrias (em relação à tributação de outros países para a área)", afirma Luciano Coutinho.
"Essa medida é fundamental para criar o conceito de empresa estratégica de defesa. A MP pressupõe a exigência de conteúdo nacional", diz, por sua vez, José Genoino Neto.

GESTÃO PARA A CIDADANIA - NORTE DE MINAS

Gestão para a Cidadania
19/10/2011 - 19h16m


Dirigentes de cerca de 300 organizações da sociedade civil  do Norte de Minas reunidos em Montes Claros nos dias 17 e 18 de outubro definiram as vinte prioridades de ações do Governo do Estado nas áreas de saúde; cidades; ciência, tecnologia e inovação; defesa e segurança; desenvolvimento econômico sustentável; desenvolvimento rural; educação e desenvolvimento do capital humano; desenvolvimento social e proteção; identidade mineira e infraestrutura.
-Achei a iniciativa do Governo muito positiva pois, nós que vivemos numa região ainda carente de investimentos é que conhecemos nossa realidade. A decisão de se estabelecer uma maior interação entre o Governo e a sociedade abre uma nova perspectiva de desenvolvimento para a região – ressaltou ao final do encontro Gerson Matos Pereira. Como integrante da Associação de Amparo à Comunidade Carente do município de Divisa Alegre, o líder comunitário participou do encontro debatendo as prioridades de investimentos na área de desenvolvimento social.
Outra liderança que também considerou o encontro como de fundamental importância para a busca de alternativas para o desenvolvimento do Norte de Minas foi Maria Amélia Ferreira, integrante da Associação dos Moradores Idosos de Lontra. Segundo ela, a iniciativa do Governo de Minas possibilita aos mais diversos segmentos da sociedade tomar conhecimento dos seus direitos e trabalhar pela busca de soluções para o desenvolvimento regional.
Por sua vez, representando um grupo de 100 agricultores integrantes da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Canastra, comunidade rural do município de Botumirim, José Lino dos Santos destacou que pelo fato de morarem numa região que até então nunca havia sido considerada prioridade de ação por parte do Governo do Estado, sempre sentiam a necessidade de serem ouvidos, de apresentarem suas reivindicações.
- Com a decisão do Governo de discutir com a sociedade as prioridades de investimentos, renovamos a esperança de que conseguiremos superar as dificuldades que enfrentamos para trabalhar. Temos consciência de que nosso trabalho é importante para a sociedade, sobretudo pelo fato de que, sem alimentação produzida na zona rural as cidades não existem – ressaltou o agricultor.

Prioridades de investimentos
Durante o encontro, as organizações não-governamentais apresentaram suas reivindicações e definiram, dentro das propostas governamentais, prioridades para serem implementadas. A definição das duas ações mais importantes nas dez redes de discussão resultou em um caderno de prioridades estratégicas regionais.
Na rede de educação e desenvolvimento do capital humano as prioridades são aproximar as escolas das famílias e incorporar a comunidade à escola, estimulando a interação de diretores e professores com os pais e alunos; e também melhorar a acessibilidade das escolas, a modernização dos instrumentos tecnológicos e a capacitação dos profissionais da educação básica.
No atendimento à saúde, o foco principal é expandir e aprimorar as redes de atenção à saúde, com prioridades para as redes de urgência e emergência e redes da mulher e da criança; e também ampliar e fortalecer os hospitais regionais e os novos centros de atenção especializada.
E na rede de defesa e segurança, as demandas selecionadas buscam consolidar as ações das polícias Militar e Civil, Defensoria Pública, Sistema Prisional e Socioeducativo e Corpo de Bombeiros Militar, e também consolidar e disseminar projetos focados na prevenção da violência e dos sinistros do meio urbano, particularmente nas áreas de maior risco e vulnerabilidade social.
Além destas,  as outras sete redes também selecionaram suas prioridades.

Fortalecer projetos
A irmã Suely Gomes Nunes, que integrou a Rede de Desenvolvimento Social e Proteção, veio de Jaíba para participar do encontro com um objetivo: somar esforços para melhorar as condições de vida da população carente da região Norte. Integrante da Associação Jaibense de Apoio ao Menor, que atende 240 crianças, ela mostrou entusiasmo com a oportunidade de definir as prioridades de investimentos para a região. -Nós mantemos cursos de formação e de geração de renda na associação, e precisamos de apoio. A maioria das pessoas que estão aqui acredita que é possível buscar melhorias para os trabalhos que são desenvolvidos, disse.
Além da escolha de duas prioridades entre as estratégias propostas, foi eleito um representante por rede, e até dois suplentes, que irão acompanhar as ações governamentais na região. O passo seguinte é a formação de um fórum de discussão, que inclui, além da presença desses representantes eleitos, a participação dos membros do Comitê Regional de Governo e outros atores estratégicos, como universidades e outras entidades importantes para o Norte de Minas. O fórum do Norte de Minas deve acontecer entre o final de novembro e o início de dezembro de 2011.